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As muitas faces de Anna-Anna
Artista plástica e designer, a brasileira Manuela Leal investe em projeto musical que já foi notícia no Guardian e na i-D
por Bruno Natal

De volta ao Rio após alguns anos em Nova York, a artista plástica e designer Manuela Leal, 32, não tem vergonha. Pra divulgar o seu projeto musical Anna-Anna, ela não pensa duas vezes antes de contactar os veículos de imprensa que ela lê e acredita estarem alinhados com a sua sonoridade. Foi assim que ela conseguiu espaço na badalada coluna “New band of the day” (Banda nova do dia), do jornal inglês Guardian, e na cultuada revista de cultura pop i-D. Foi assim que ela chegou até a Transcultura também. O resultado de suas práticas atestam velocidade com que conteúdo trafega hoje em dia.


- Hoje qualquer um é uma gravadora independente. Amava capas de discos e achei uma boa idéia realmente fazer música para a entidade e identidade visual que estava criando, tinha um sonho de “gravar um disco”. Coloquei na rede e uma semana depois mandei pros blogues da vida e recebi a resposta do Guardian. Os ingleses realmente são abertos e procuram músicas mais experimentais. Depois recebi um email da BBC, e um email da i-D. É claro que eu não fui mandando cegamente, já lia as colunas obsessivamente e conhecia o perfil – explica Manuela, detalhando um processo muitas vezes ignorado por quem quer divulgar algo.

Os sons fantasmagóricos, espaciais e sem batidas do Anna-Anna surpreendem, principalmente por se tratar do seu primeiro projeto musical. Atuando como artista plástica e designer no mundo corporativo, Manuela estudou moda e belas artes na Parsons e fez mestrado em Yale, antes de decidir voltar ao Brasil para conhecer melhor o país onde nasceu, já que não havia morado por aqui depois de adulta – e para retomar a música, que estudou na adolescência.

- Usar o seu próprio nome tem um ar assim de verdade naturalesca que é o oposto do que procuro. Prefiro a ideia da ficção, onde tudo é possível, onde se pode construir um mundo a parte. A ideia de que a gente é o que a gente escolhe, não o que se nasce. Sabia que escreveria em inglês e sabia que com o nome que tenho seria enquadrada no ângulo “cantora latina”, com a expectativa de uma sonoridade específica. Anna-Anna é um nome comum e neutro que funciona em qualquer idioma. É o nome duplo, o nome da Anna Magnani, é qualquer uma e todas ao mesmo tempo – fala Manuela.

As influências citadas vão de pós-punk, Nick Cave, Scott Walker, Lee Hazlewood a Serge Gainsbourg e Nico. As produções abusam de efeitos como eco e delay. Instrumentos tradicionais não tem vez e Manuela produz no computador, utilizando sintetizadores e o programa Ableton Live. Tudo a serviço das letras.

- Comecei obcecada por letras. Queria escrever sobre esses eventos sobrenaturais, um mundo onde tudo é possível, super-poderes, viagem ao tempo, coisas assim. Gravei os vocais e fui fazendo o resto em volta disso. Batidas não foram a prioridade, mas no momento estou incorporando-as. Com tudo isso, me apaixonei pelo Clams Casino e essa coisa mais psicodélica que está rolando com as produções de hip-hop, tipo ASAP Rocky.

O Anna-Anna é tão novo que ainda não se apresentou ao vivo. Antes disso, Manuela pretende gravar mais coisas e elaborar uma maneira de integrar seus trabalhos de arte visual e suas virtudes poliglotas com o resto do projeto.

- Estou gravando, em inglês, o equivalente a um LP e vou lançar no primeiro trimestre de 2012; Vou escrever também em português, um disco sobre o país que me alimentou no “exílio”, um oásis de ficção, o “Brasil” de um passado congelado que carreguei comigo enquanto morei fora. E, finalmente, um faixa em francês, uma carta a Paul Valéry e Baudelaire sobre o estado da vida de espírito, hoje.

Ao que parece, a volta ao Brasil foi inspiradora. Manuela concorda.

- Sempre quis voltar, mas é recomeçar quase do zero, retomando antigos sonhos. Voltei em março de 2010, não sei dimensionar ainda exatamente o campo de trabalho aqui (risos). Acho que tenho campo maior para esse tipo de trabalho no exterior, onde tenho tido mais respostas e onde estou planejando fazer shows em 2012.
- O Globo (Newspaper)


November 24, 2011
I’ll take your brain to another dimension

When i-D online contacted Anna-Anna to arrange an interview, we were met with: “OMGGGGGG Seriously??? <333!!!! Awwwwwww:)”, a positivity at the core of Rio resident Manuel Leal’s music!


Apparently The Guardian were met with the exact same response. But the chilling, sultry tones of Anna-Anna are a far cry from her OMGGGGGGG email persona. Having spent the last ten years or so in New York as a sensible freelance graphic designer, Manuel let loose on her musical talents. The songs from her debut EP Last Night I Lit the Moon are dreamy, experimental soundscapes that curl like smoke, crackle like TV static and really are like nothing you’ve ever heard before. Describing Anna-Anna as an alter-ego inhabiting a shadowy space between fiction and reality “where everything is possible”, we skyped the mysterious musician, who donned a number of masks and hats, to chat about music and her superpowers. If we ever pick up a transmission from outer space, we hope it sounds like this.

Tell us about Anna-Anna… Anna-Anna is a band made up of one person, me, Manuela Leal, based in Rio de Janeiro. ‘Anna-Anna’ is a name that sounds common and neutral in any language. Anna-Anna, the double; Anna-Anna, the superhero who turns ice into gold. As ‘Anna-Anna’, I am pure imagination. Anything is possible.

What did you listen to growing up? As a 13-year old I was a huge Sex Pistols fan. I spent a summer in England and it felt like anything was possible: in music I had found a place where I belonged. As a child and teenager I was trained classically, which opened me up to abstraction and silence. My early experiences of night life in Rio really marked me; the idea that music was tied to how you dressed and that when you went out you were outwardly living a dream life – even if it was just for a night. Later, when I found people like Lee Hazlewood, Serge Gainsbourg, Scott Walker and 70's “Berlin” David Bowie, I felt that sense of possibility again.

Your music has a strong filmic quality. Are you inspired by the work of any particular filmmakers? Yes. Initially I drew from actresses like Anna Magnani and Silvana Mangano and from films like Michelangelo Antonioni’s ‘L’Avventura’ and ‘L’Eclisse’ for the ‘Anna-Anna’ character. I really love ‘The Marriage of Maria Braun’. Maria believes she really is going to “win” her life game and her story is completely merged into her historical context. There is no escape: her internal life is the landscape of history. I like the ways in which films are like songs, with different sounds, textures and characteristics.

What are the main themes in your lyrics? Superpowers! Imagination transcending human possibilities to affect the physical world. Internal worlds that shape what is seen. Love, the greatest power of all!

What’s next? I am writing new lyrics and will begin working on the music for an LP in English. I am writing a single in French for Paul Valéry and Baudelaire. I am working on three films made up of found historical and Youtube footage. And writing songs in Portuguese for a mini-LP about the internal prints of a place I lost and found. Once this is all done I’ll be playing live in London and New York in early 2012.

Anna-Anna’s released tracks are available now at anna-anna.bandcamp.com

annaanna2.tumblr.com

Text: Oscar Quine - I-D (online) magazine


Quando voltou ao Brasil no começo de 2010, após viver nos Estados Unidos desde a adolescência, Manuela Leal tinha o desejo de se dedicar novamente à música, tema que estudou na juventude e do qual há pouco havia se reaproximado.

Ainda em Nova York, antes de seu retorno ao país, comprou equipamentos e começou a gravar em sua casa. Foi quando a brasileira formada em artes plásticas viu que poderia conciliar a música com o interesse no lado estético, com capas, artes e sites do projeto que batizou como Anna-Anna.

Conheci as músicas do Anna-Anna nesta semana e fiquei fã imediatamente. As quatro faixas do EP digital “Last Night I Lit The Moon” são a trilha de um mundo de ficção criado pela brasileira, no qual as músicas funcionam como sonhos narrados.

Não acho que dê para chamar o Anna-Anna de um projeto de música brasileira, a não ser pelo fato de Manuela Leal ter nascido aqui. As canções têm um lado experimental, mas em cada uma delas há algo de familiar e cativante. Seja a escolha dos timbres e efeitos, seja o vocal falado que remete a figuras como Laurie Anderson.



Baixe o EP “Last Night I Lit The Moon” de graça aqui.
Fiz uma pequena entrevista por e-mail com Anna-Anna para falar sobre sua música. Leia abaixo.

De onde saiu o nome Anna-Anna?
O nome Anna-Anna foi um alter ego, (tirado do) primeiro nome da Anna Magnani, a minha atriz preferida. Eu dizia que Anna-Anna vive num mundo de ficção onde tudo é possível. Passado e presente se unem.

As músicas do EP “Last Night I Lit The Moon” foram as primeiras que você gravou?
Sim, foram as primeiras. Uso um sintetizador analógico de bolso e o computador.

Quando ouvi o EP, pensei em Laurie Anderson, Maria Minerva, Dirty Beaches e cantoras francesas dos anos 60. Que sonoridade você busca nas suas canções?
Adoro Maria Minerva e Dirty Beaches:). Quando comecei o objetivo era encontrar o meio para as letras, que eram ao mesmo tempo românticas e futuristas. Eu queria que a voz fosse gravada perto do microfone (“close-miked”, como chamam) quase como sussuros, como narrativas em sonhos. Assim como as cantoras tipo Ornella Vanoni e Françoise Hardy, que têm voz mais baixa e quase “falam” em vez de “cantar”. Adoro música francesa em geral. A música em sí é bastante minimalista, beeemmmm devagar. Quando eu conto pras pessoas que faço música eletrônica, logo se pensa em dançar, o que não é o caso aqui. Gosto também do trabalho do John Cale com a Nico, ele produziu todos os discos dela, e tinha aquela combinação sinistra entre a voz grave dela e a dissonância minimalista do som dele.

Agora que estou gravando músicas novas acho que estou chegando perto do que eu queria mesmo, colocando a voz na frente do mix, com as letras e tudo mais, e mais e mais minimalistas, quase como músicas clássicas de filmes como “Casablanca” e músicas que a Marilyn Monroe cantava. Só que o som por baixo é “de plástico”. Estou também me apaixonando por hip hop. Sério. Tirando as letras. Tem um produtor, o Clams Casino, cujo álbum instrumental saiu pela Tri-Angle, tem umas batidas com um lado psicodélico maravilhoso. A simplicidade é a coisa mais difícil…no momento tem um rapper que ele produziu, ASAP Rocky, com uma música chiclete chamada “Peso” que eu não consigo parar de ouvir.

Você escolheu gravar em inglês tendo em vista o mercado internacional? Acha que suas canções e letras funcionariam da mesma forma em português?
Eu escolhi o inglês porque a maioria da música que eu ouço é feita em inglês. Além disso, acho que escrevo melhor em inglês do que em português, e os temas, as letras, soariam muito estranhas em português. Tenho uma ideia pra escrever em português, mas vai estar ligado a um projeto maior que incorpora artes plásticas, sobre o “Brasil” como essa utopia distante que se constrói na cabeça da pessoa que saiu pro mundo muito jovem.

Mas a verdade é que o público é muito pequeno pra esse tipo de música (música experimental não-dançante) no Brasil e para ter um alcance maior eu teria que falar inglês. As letras são baseadas em experiências que eu viví ainda fora.

Você pretende lançar o material gravado em disco físico? Já fez shows?
Só com apoio de gravadora, o que ainda não está fechado. Eu gostaria de lançar vinil, mas o custo é muito alto. Nesse momento estou focada em gravar coisas novas e na internet como meio de divulgação.

Ainda não fiz shows. A idéia é terminar essas músicas novas até o fim de novembro e depois ensaiar pra tocar ao vivo; estou começando a esboçar uma pequena turnê na Inglaterra no verão deles, a partir de meados de maio de 2012, e talvez Estados Unidos, mas nada está certo. Quero tocar no Rio e em São Paulo antes de ir, mas ainda são apenas idéias.

O fato de ser carioca e morar no Rio de Janeiro tem alguma influência na sua música? Ela me parece fazer um contraponto ao lugar-comum do rio praiano e ensolarado.
Engraçado, né? Realmente não tem nada a ver com o samba e temas tipo brisa do mar, sol, praia, etc. Na verdade, se tem uma influência, e acho que esse foi um fator marcante na minha vida, foi uma casa noturna que teve no Rio nos anos 90, quando eu ainda morava aqui, chamada Dr. Smith. Naquela época tinha uma cena muito legal, eu aprendi muito, era garota de colégio, mas vivia para isso. (O lugar) tocava mais rock e coisas ecléticas, mas as pessoas se vestiam com estilo próprio, e se recusavam em ir à praia pra manter o look noturno. Era essa ideia da música como meio para uma estética e identidade.

Aliás, essa casa noturna meio que herdou isso de um outro lugar chamado Crepúsculo de Cubatão, que era um clube “dark” dos anos 80 (eu era criança na época, nunca fui). A cidade sempre teve uma população escassa de figuras exóticas não-praianas. Frequento às vezes umas festas rockabilly, mas aquela combinação de rock, música eletrônica e outros não existe mais. As coisas estão mais separadas hoje em dia. Até hoje rolam uns revivals “Crepúsculo de Cubatão” que eu não perco por nada, porque aliás a saudade mais macabra é daquilo que nunca vivemos. Eu morei uns meses na Inglaterra quando tinha 13 anos, e foi aí que comecei a investigar pra valer essas outras possibilidades.
- Poplink Blogsfera


Em pouco mais de oito meses na cena, Anna-Anna apareceu repleta de mistérios para trazer ainda mais incertezas à música. No esquema do-it-yourself, a produtora musical Manuela Leal deu vida a uma personagem cheia de emoção, ainda que os temas de seu último EP, Last Night I Lit the Moon, traga referências lunáticas, científicas, ficcionais.

“Queria que fosse um projeto completamente autoral, mas não queria usar o meu nome”, disse Manuela em entrevista por e-mail ao Na Mira do Groove. “A ideia inicial foi fazer uma música de ‘pura emoção’”.

A sonoridade de Anna-Anna tem um aspecto lo-fi experimental que trafega numa selva intimista bem sinistra. Por mais que o minimalismo dê as diretrizes, há efeitos de lasers e uma atmosfera espacial futurista que deixa os vocais de Anna-Anna (ou Manuela) ainda mais reconfortantes, como se ela fosse uma espécie de mensageira que veio diretamente do futuro através de uma máquina do tempo.

A coluna de Paul Lester no New Band of the Day, do jornal britânico The Guardian, e o famoso site de streaming NPR já deram aprovação. E o Na Mira do Groove, também.

Confira a entrevista com Anna-Anna:

***

Como veio inicialmente a ideia de fazer música, montar o projeto Anna-Anna?
Estudei música ainda criança e adolescente antes de ir morar nos Estados Unidos. Quando me mudei, ‘larguei’ a música e fui fazer outras coisas, mas a ideia sempre esteve presente. Eu estava morando em Nova York e vivia uma vida dupla: tinha um trabalho corporativo pra pagar as contas e um ateliê onde trabalhava como artista plástica. Não estava feliz e não estava indo pra frente. A música surgiu como um resgate e uma maneira de me comunicar com o mundo. Eu sabia que não ia tocar guitarra ou violão; com a tecnologia acessível de hoje em dia, é possível fazer tudo, ou quase tudo sozinha. Vim para o Rio com esse objetivo de gravar música, apesar de não ter a mínima ideia do que seria e de como faria. Trouxe um amplificador, microfone, teclado midi, micro Korg e outras coisinhas. E fui me inteirando melhor e intensamente com a internet para entender esses mecanismos. Engraçado que eu fiz tudo sozinha e não mostrei pra ninguém, a não ser meia dúzia de pessoas próximas. E, ao ler o que as pessoas têm escrito, aprendo bastante. Adorei fazer o projeto gráfico, enfim, foram todos esses pequenos passos. Também estava numa crise em relação às artes (plásticas), que é um meio rarefeito e relativamente fechado. Com música, eu vi que poderia construir imagens acessíveis e abertas a qualquer pessoa.

Quais foram as principais influências para o surgimento de Anna-Anna?
A ideia inicial foi fazer uma música de ‘pura emoção’. As letras são assim. O objetivo inicial foi fazer o vocal ‘close-miked’, ou de forma gravada e sem efeitos da maneira mais intimista possível. Inicialmente, eram só acordes. Tive que descobrir como construir em cima, até porque nunca tinha feito e não tinha a mínima ideia de como fazer nada. Fui influenciada por aquilo que estava ouvindo: Johnny Cash com Rick Rubin, Nick Cave, Nico, Marianne Faithfull, gostava também da produção do John Cale nos últimos discos da Nico… Queria que fosse um projeto completamente autoral, mas não queria usar o meu nome. Engraçado que eu contava pras pessoas que estava fazendo música eletrônica e é claro que as pessoas pensam em música ‘feliz’, pra dançar (rsrs!).

Estou escrevendo letras para um LP em inglês, mas quero fazer um EP em francês para distribuir na França mesmo. Seria uma resposta a Paul Valéry e a Baudelaire, uma carta sobre a vida interior e o mundo fragmentado em que vivemos
Você fala muito de lua, olhos de gato, lasers… essas construções de imagem vêm da ficção científica?
Na verdade, vêm de desenhos animados (rs!). A imagem do laser vem da She-Ra, falo também dos poderes de Greyskul. Mas, falando sério, eu queria ter superpoderes para afetar o mundo físico. Por isso [recrio] essas imagens. A ideia de ficção científica veio depois – com os sons dos sintetizadores, ficou mais evidente.

Ainda que haja muita ciência em Last Night I Lit the Moon, percebemos que há muita sentimentalidade também. É realmente essa a essência do seu som?
Com certeza. Queria também essa tensão entre o quente, da voz e das letras, e o frio da tecnologia (digital, principalmente).

Pensa em lançar algum novo EP ou tem projeções para um álbum?
Tenho vários planos. Estou escrevendo letras para um LP em inglês, mas quero fazer um EP em francês para distribuir na França mesmo. Seria uma resposta a Paul Valéry e a Baudelaire, uma carta sobre a vida interior e o mundo fragmentado em que vivemos. Apesar de tudo, o ‘espírito’ sempre vence a ciência. E quero fazer também um LP em português que descreve a ideia do Brasil e da saudade, da vivência através de uma imagem que vai além da própria imagem. Eu vivo de um país que só existe na memória. Cada um tem uma raiz psíquica que carrega a nossa identidade e o que a gente entende por mundo. Queria fazer uma coisa meio épica, tipo Odisseia, mas com músicas cantáveis. Nada disso ainda é concreto, mas vou realizar. O esquema lo-fi/independente é muito bom por isso.

Quando você define Anna-Anna, diz que ela representa todas as mulheres de filmes fictícios. E o seu som sugere uma humanidade futurista cada vez mais distanciada dos sentimentos. A personagem Anna-Anna serviria como um alerta para os perigos dessa falta de carga emotiva?
Ah, isso eu não sei (rsrsrs!). Na verdade, o nome Anna-Anna veio da Anna Magnani [atriz italiana que, dentre diversos filmes, atuou em Roma, Cidade Aberta] e da ideia de que muitas das mulheres-heroínas, as minhas pelo menos, são ‘Anna’s. Me lembro da adolescência no Rio de Janeiro, onde cheguei a frequentar clubes de rock. Naquela época, sair à noite era viver o seu ideal, o seu imaginário, ao vivo. Apesar do peso da cidade, a gente preserva a fantasia pra sobreviver. A gente sobrevive de semântica, mas só se alimenta a alma de metáfora.

Como você pensa ou trabalha as colagens sonoras para o trabalho de Anna-Anna?
Estou aprendendo, mas começa com os acordes e vou adicionando coisas, depois apagando outras. Prefiro o espaço entre o som e o silêncio. No início [o projeto Anna-Anna] era realmente a voz: gravei os vocais várias vezes. Cada frase foi recortada e recolada, organizada de acordo com a música, que veio depois.

Tem material inédito?
Terminado, ainda não.

E shows ao vivo? Já fez algum, recebeu propostas?
Ainda não fiz shows. Quero gravar (e ensaiar) mais coisas antes de fazer shows ao vivo. Ainda não fiz nem vídeos, estou organizando isso primeiro.

Já pensou em como fazer para apresentar ao público o som de Anna-Anna?
Bom, tenho pensado nisso, quero muito cantar. No momento, teria que fazer um esquema sequenciador com laptop e midis. Eventualmente teria uma “banda”, mas isso bem mais pra frente.

Internacionalmente, você vem chamando atenção, com boas descrições do The Guardian e do NPR. Acha que aqui no Brasil sua música terá essa boa recepção também?
Acho que não. Primeiro porque é em inglês, e as referências tipo Scott Walker são restritas. Além de você, ainda não tive respostas no Brasil. Mas é normal porque, afinal de contas, escrevo tudo em inglês e não posso achar que as pessoas vão gostar disso e daquilo. Mas vamos ver o que aconteceria escrevendo em português. - Na Mira do Groove blog


Não sabemos o que irá acontecer em um futuro não tão distante assim. Iremos acabar nos matando, a falta de recursos naturais vai inviabilizar a vida na Terra, vamos atingir o espaço? Poucos têm a resposta para isso, e seria no mínimo fácil demais jogar todo esse peso ao som medonho e repleto de vazões sentimentais de Anna-Anna, alcunha criada por Manuela Leal.

Com apenas seis meses em atividade, ela trabalhava como designer em Nova York até o ano passado, mora atualmente no Rio de Janeiro e fala seis línguas. Só que, em seu EP Last Night I Lit the Moon, Manuela optou pelo inglês como idioma universal para mensagens que soariam aterrorizantes se não fossem literalmente tão lunáticas. Logo na faixa-título (que significa ‘na última noite eu iluminei a lua’), ela faz uma espécie de relato cósmico sobre o que viu lá em cima: “a superfície lunar é um campo de poeira elétrica do sol e do espaço”.

Difícil traçar um paralelo com o trabalho de Anna-Anna. Björk até se encaixaria, mas ainda assim se perderia na selva intimista e densa das quatro faixas de Last Night I Lit the Moon

O som segue em pulsações com efeitos de sci-fi e, acredite, é pura sentimentalidade. No final, a personagem futurística Anna-Anna (‘fictional every-woman from films’) diz queimar os pensamentos para seguir alguém que ama.

Em “Cat Eyes”, novamente a ponte entre ciência e sentimento: a personagem diz transformar gelo em ouro com seus olhos de gato. “My laser vision will melt your love”: ‘Minha visão a laser vai derreter o seu amor’. Enquanto canta, diversos tiros são disparados ao fundo, como se ela fosse imensamente desejada e tivesse realmente deteriorando todo o amor – seja superficial ou não – direcionado à garota (se é que isso seria mesmo uma garota) que durante anos teve visão ‘miópica’, o que significa uma suposta ingenuidade.

Ainda que Manuela defina o som de Anna-Anna como indie-eletrônica influenciada pelo pop francês, seria difícil traçar um paralelo com o que ela faz. Björk até encaixaria aqui, mas mesmo a islandesa se sentiria perdida nessa selva intimista e densa ambientada em todas as quatro faixas de Last Night I Lit the Moon.

A voz de Manuela lembra uma espécie de mistura entre Beth Gibbons (Portishead) e Nico, que ela não esconde como grandes referências do seu trabalho. O vocal é meio sussurrado e sombrio e casaria muito bem com um piano clássico. Ainda que Anna-Anna esteja distante disso, ela puxa esta última referência com violinos macabros que, como bem lembrou o jornalista Paul Lester, do New Band of the Day (The Guardian), traz teclados minimalistas e recria o violino de John Cale em “Venus in Furs”, um dos experimentos mais simbólicos do primeiro álbum do Velvet Underground (com Nico).
- Na Mira do Groove blog



Hometown: Rio De Janeiro.

The lineup: Manuela Leal (vocals, instruments).

The background: It's not absolutely essential for potential New Band of the Day candidates to email us and declare they are "avid readers" of the column, nor is it one of the prerequisites for inclusion here that they must admit to being "flabbergasted" when we send an interested response. But it doesn't do any harm. Then again, nor does it hinder your chances if you happen to be a beautiful and bafflingly brilliant Brazilian, whose recordings are quite unlike anything we've ever heard.

Astonishingly, Manuela Leal – who operates as Anna-Anna because "it sounds neutral and somewhat anonymous in any language, especially if I'm singing/writing in English, and the lyrics are emotional to the point of slight embarrassment" – only started making music six months ago. This was after returning to Brazil in March 2010, having spent more than a decade in New York, first at college and then working as a freelance graphic designer. We know all of this because we called Manuela last night in Rio De Janeiro, to check some facts and confirm that Anna-Anna wasn't, in fact, the alias of an avant-garde (male) Brit having a joke. She's not, even if she did explain that Anna-Anna is a fictional superhero with the power to effect environments and "turn ice into gold". Oh, and that she was on her way to do "an insomnia-related sleep test/examination at a clinic".

The four tracks on her debut EP, Last Night I Lit the Moon, sound like the result of sleep deprivation. Either that or they provide you with some of the feeling of disorientation you might get walking through a city park at night. It's still, it's quiet, but it's disturbing. And so it is with this music, which we're struggling to describe because it is so ... different. Manuela tells us it's indie electronica "informed by soundtracks, forlorn ballads and French chanson/pop". Whatever, as soon as the title track, which she terms "a sci-fi torch song", starts, you can tell you're in strange territory. Is that a glockenspiel, or wind chimes? There follow some sounds from the outer limits before the voice comes in at an oblique angle, singing over shrieks of synth about "the ghost of bombs" and "the sun reaching out to the moon".

Singing? We meant fluttering, trembling, a quiver of sighs and chanson tones. "I can't think of anyone to compare my voice to, other than Ornella Vanoni the Italian singer, a downer version of Juliette Gréco, or maybe a South American Nico, although her voice is cold and iconic and mine isn't," says Manuela, who speaks six languages, although she doesn't specify if they include alien tongues. Cat-Eyes is vaguely tribal, but this is jungle music from a galaxy far, far away. Mirrors of America is spookily effective, a MIDI keyboard recreating John Cale's viola sound from Venus in Furs. "Buildings circumvent our movement," she sings, and immediately you think: yes, they do. It's the way she tells 'em. "What can be seen," she adds, "is already past." Wow. That's good. Hallucinatory's the word. Tiny Feathers is chilling, the sort of thing that could accompany a scene in a Scandinavian movie where a little girl collects fly wings in a jar. We deliberately referenced the Sugarcubes' Birthday there because really only Björk could make music like this, or the Tim Buckley of Starsailor, or perhaps Warp artist Mira Calix. But few others. And we'd say that even if she wasn't a fan.

The buzz: "Spooky, intimate and seductively weird" – anewbandaday.com.

The truth: She likes us, we like her more.

Most likely to: Light the moon.

Least likely to: Circumvent your movement.

What to buy: You can download Anna-Anna's EP from anna-anna.bandcamp.com.

File next to: Jane Siberry, Mary Margaret O'Hara, Mira Calix, Björk.

Links: annaanna2.tumblr.com. - The Guardian online


Anna-Anna is the moniker of Manuela Leal, a promising experimental artist born in Rio de Janeiro.

Leal moved to New Haven, Connecticut, as a teenager and eventually to New York where she became a visual artist. Several years later she moved back to Rio to make music.

Her EP Last Night, I Lit the Moon is a four-song album that celebrates basic soundscapes. Check out the title track:

Last night I lit the moon by anna-anna2
It's also a record that's about lyrics. When I first heard "Cat Eyes," my jaw dropped, and I was in a trance:

Anna-Anna opens this song with rumbling drums and a bouncing synth, eventually chanting her spell: "I've got cat eyes baby/ I turn ice into gold/ I've got cat eyes baby/my laser vision will melt your love."

Cat Eyes by anna-anna2
Some listeners will point to a resemblance with Laurie Anderson, although I find her vocal styles reminiscent of Cat Power.

Lyrically, it's David Bowie meets Scott Walker: Anna-Anna's creations aren't just songs, they're poems that will take a breath or two out of you. The pieces in Last Night I Lit The Moon may come from a very personal place, but they also speak to the universal human experience. Perhaps the best way to describe her music is in her own words: "Basically the idea that we can re-organize "reality" according to our dreams, not the other way around ... the idea that music provides alternate models of existence that can be inhabited by anyone." - NPR.org


ANNA-ANNA - LAST NIGHT I LIT THE MOON
Last Night I Lit the Moon, Anna-Anna
Independiente, Brazil
Rating: 82
by Pierre Lestruhaut

If earlier this year, releases like those of Dávila 666 and Los Claveles had us all worked up for garage and post-punk revivalism, with its commonly associated vinyl fever, lately we’ve been sort of falling a bit more for some uncanny self-everything releases by newcomers we’ve been encountering online, precisely like these last couple of destacados: Anna-Anna and Installed. And you do have to realize just how fortuitous it is that something like Anna-Anna, a sort of mysterious musical persona dissipated among the unbrowsability of online music sharing platforms and countless other acts uploading their music for free, actually found its way into our ears.

The woman behind this project is Manuela Leal, a Brazilian visual artist who moved to the U.S. as a teenager, but later returned to her home country, where she’s been making “indie electronic” music for less than a year. Her debut EP, Last Night I Lit the Moon, is the sort of record that’s immediately striking for its outstanding uniqueness and, because of this, it's a record that can be enjoyed both as an easy listening experience and as a wholly immersive one, where her distinctive soundscaping and jaw-dropping lines hit you even harder. Which is why easy comparisons can be drawn between Manuela Leal and other women making avant-pop, like Laurie Anderson, Trish Keenan (Broadcast, RIP), or even the rising Claire Boucher (aka Grimes). Yet, these comparisons would seem to be a lot more fueled by gender and overall edginess, than in an actual similarity in their distinctive approach to song-crafting.

The title track is described by Leal as “a sci-fi torch song,” a staggering and unpredictable piece defined by otherworldly sounds and a whispering voice that mumbles to us as if it were, in fact, coming from that distant place. “Cat Eyes” is a fluttering picture that paints French new wave film characters as persons with otherworldly attributes, as she sings “I’ve got Cat Eyes, baby. My laser vision will melt your love” to the sound of a throbbing electronic beat and hypnotic keyboard lines. It’s precisely this sort of effective manipulation of electronic elements that allows Anna-Anna to create evocative moods and dense atmospherics in spite of her limited sonic palette and simple song structures, something she also does very well in “Tiny Feathers,” with its stunning series of simple MIDI-keyboard lines. This actually makes me think she might not be too far from acts like Dirty Beaches, or even The Weeknd, at least if you look at the very surface of their musical approach and how they manage to evoke all different kinds of moods and atmospheres out of simple elements like peculiar samples, murky production, or even unusual vocal interpretation.

Then with “Mirrors of America,” by far Leal’s most ambient-influenced track, which merely consists of a ghostly piano that could be looped by The Caretaker and a Tim Hecker-like drone, she actually turns the whole picture upside down. Like most ambient music, it’s a song that manages to sonically aestheticize our surroundings and define the images we see instead of evoking a particular mood separating us from reality. For me, its themes of architectural contemplation (“The city cast in stone and concrete moves in predictable drones”) and longing for a better present (“What can be seen is already past, what is today doesn’t match”) have been acting as the bittersweet soundtrack to the drivings around the decaying areas of my hometown, while Carlos Reyes has mentioned how shaken it made him feel to listen to it while watching 9/11 footage. Because even if this is clearly music that’s as intimate and personal as you’ll ever get, it also bears a very touching universality, one that grows from “the idea that music provides alternate models of existence that can be inhabited by anyone," as Manuela Leal has said it herself. We can only wonder if there really is any other music like the one she's making. - Club Fonograma blog


By David D. Robbins Jr. | Their Bated Breath
Anna-Anna “Last Night, I Lit the Moon”
Anna-Anna is a project by the artist Manuela Leal, based in Rio de Janeiro. She says her newest EP “Last Night, I Lit the Moon” was informed by some of her interests: soundtracks, ballads and French pop. And that the project is conceived as an homage to Anna-Anna, the fictional every-woman from films. Her songs are eerie cinematic musings with haunting synth and half-sung bouts of highly introspective cosmic poetry. The songs exist as flowing dreams, scary planetary visions, and incorporeal wanderings. The song, “Last Night, I Lit the Moon”, begins with sharp strings, rhapsodic minimalism and these silvery thoughts: “Climbed and climbed / I fly with time / On the surface is a field of dust / Electric dust with space and sun / Saw the earth from above / Pin my ear to the ground / Heard the moon tremble.”
Her song “Tiny Feathers” also focuses on imagery of looking down on things from above. It mixes images of the mythological Icarus with thoughts of humanity’s infinite capacity: “Blue hummingbird of love … / If you are truly a bird, what do you see from above? / I’ll put on wings of silver / To find you’re closer to the sun … / If it wasn’t for the feather you’ve dropped, I wouldn’t know that to be human … / To do impossible things.” There’s a sort of oneness about the presentation of her four songs, but there’s something endlessly impressive and ambitious about the lyricism and expositions as a whole. The music is dark, strange and disquieting — with a lightness of touch that comes from the song’s distant observation.
Anna-Anna’s arrangements are beautiful in their seeming simplicity, but they create fragile and complex moods. “Mirrors of America” feels orchestral, like some long-lost score for an expressionistic, futuristic silent film like Fritz Lang’s 1927 “Metropolis” or perhaps Jean-Luc Goddard’s “Alphaville” (1965) featuring famed actress Anna Karina. Anna-Anna sings “Mirrors of America” like a chanteuse, in golden sweeping verses of cityscapes and sad reminiscence, backed by darkening brass and weeping strings. It’s a song constructing a city of the mind, finding consciousness in stone, in patterns, in movement, in architecture and the pain of placelessness. She does for her metaphysical metropolis of consciousness what Elizabeth Bishop did in her poem “Monument” — showing thought as constructive voyaging: “Mirrors of America / Palaces of gold and plaster / Leaving the city of straight lines / Breathing the dust of a golden age / Buildings circumvent our movements / Bodies move along lines of shifting shadows / The city cast in stone and concrete / Moves in predictable jolts … / What can be seen is already past.” The most beautiful phrasing comes when Anna-Anna sings “hover” with the delicacy of a floating feather: “If cities were made from images / Of thoughts that hover / There would be street palaces …” It’s a sullen symphony, quietly dynamic like destination architecture — reaching for skyscraper heights of happiness before it crumbles into rubble.
It’s absolutely stunning. “Mirrors of America” is reminiscent of some of the thoughts of Walter Benjamin, about how human creation, like architecture, is the mirroring of the internal and how it’s a preservation of “unconscious amorphous dream(ing)”. This is a music that is completely its own. It’s the way Bjork fans feel when they hear her at her best. “Last Night, I Lit the Moon” is a subtle, but ambitiously bold marrying of human possibility and the concept album. Anna-Anna is everything and nothing in these songs. As soon as you begin to build a picture of this fictive nom de plume, she disappears behind macabre melody, shadowy lyricism and unearthly imagination. These tracks come highly recommended, and compile one of my favorite EPs of the year. Note: Lyrics are all unofficial.
- Their Bated Breath blog


ANNA-ANNA – LAST NIGHT I LIT THE MOON
POSTED BY MATTHEW IN UNSIGNED ON 19 JUL 11 • NO COMMENTS »
Those of you who listen to the Toadcasts on a regular basis will have heard some of this already, as I played the amazing Mirrors of America on Toadcast #182 the other week.

That’s probably the most aggressive of the songs on here, which should tell you something about the general tempo. Those of you who remember my reviews of Powerdove and Lady Lazarus will not be surprised that I like this. It’s mysterious and odd, and perhaps what might have happened to those two bands if they had constructed their songs electronically instead of with instruments and other toys.

Music this slow runs the risk of lapsing into easy listening, even when drenched in lo-fi production values and peppered by some very unusual noises. If you aren’t careful the songs can become buried underneath the atmosphere of the scene that is set, preventing the individual characters from making an impact. Lady Lazarus in particular struggled with that, with so many songs on her album, but in the case of a four-song EP it is a lot less of a danger.

Here, the breathy, mumbled vocals dodge their way through minimal landscapes, knowing full well they are hidden by the general mist and needn’t fear having to meet your gaze. The rest of the music is like that – it seems to obfuscate without directly hiding. Tiny Feathers might not quite grab me as much of the rest, but everything else here seems to have mastered that trick of getting you to stare into a jar of smoke for hours, convinced you can see shapes in there somewhere. - Song By Toad blog


This is one that almost slipped past us. We meant to post something about Anna Anna when we first saw her on The Guardian’s New Band of the Day blog back in July, but things were a little busy then and we missed writing about a few things.
Well, now we’re catching up, and Anna Anna is definitely one that deserves a little more attention. Anna Anna is Brazilian Manuela Leal who returned to Brazil in March 2010 after a spell living in the USA. Her music is a very unusual mix of ethereal sounds with Manuela’s voice talking broodily above the backdrop. The reason it deserves some more attention is because it sounds so completely different to everything else we’ve been listening to. The Guardian described Anna Anna’s sole EP Last Night I Lit The Moon using these words: “bafflingly brilliant Brazilian’s ‘sci-fi torch songs’ sound like jungle music from a galaxy far, far away.”
Now the jungle bit seems like a touch of lazy journalism, associating exotic sounds as being from the jungle, but the rest is true. There is a detachedness about the vocals on this EP, which are sung in English by the way, which could hark to a sci-fi narrative. Personally, I think this sounds very similar to the work of Laurie Anderson, or even early electronics pioneers such as Daphne Oram or even Delia Derbyshire, and does manage to stretch the concept over the EP’s five songs. The interesting thing will be whether Anna Anna can maintain interest over a whole album. It’s something that we would definitely like to hear. - Sounds and Colors website


Anna-Anna
‘Mirrors Of America’
The magic of Anna-Anna, the fictional superhero project of Brazilian artist Manuela Leal, lies in her beautifully spooky, creaky phrasing. That’s not to say that the four songs on her debut EP, Last Night I Lit The Moon, are in any way musically deficient, but it’s the voice that casts the spell. Taking notable cues from the French chanson tradition and sweeping movie soundtracks, Leal has hit upon a unique recipe for perfect late-night listening. Glorious washes of distant strings and a ghostly piano refrain surge and ripple in the background of ‘Mirrors Of America’, giving it an extraordinarily atmospheric feel. The full EP is available free to download from Soundcloud and Bandcamp, but you’ll have to wait until she gets more download credits or puts it up for sale. Popularity’s a bitch.

FREE MP3: Anna-Anna, ‘Mirrors Of America’ - Wears the Trousers online magazine


Last Night I Lit The Moon, es el proyecto de indie electrónico y chanson de Anna-Anna, originaria de Río de Janeiro, Brasil, inspirado por la balada, el pop francés y los soundtracks. Influencias que en efecto forman parte de la permanente y misteriosa insinuación auditiva representada en la bella figura de un imaginario minimalista.

Grabaciones cálidas y ambiciosas, una construcción sonora que de la simplicidad encuentra magníficas estructuras complejas. Hermosas recreaciones del inconsciente de una poeta en un planeta oscuro y enigmático reinado por tornados, cristales y desierto; evocativa de las grandes cantantes francesas de los sesenta y setenta, como François Hardy y por otra parte felina y experimental como interpretes mas contemporáneas, un punto de balance entre la templada voz de Nico y la épica Tori Amos.

El Ep, contiene cuatro pistas, Cat Eyes, Last night I Lit The Moon, Mirrors of America y Tiny Feathers, una colección de estilizadas creaciones llenas de expresionismo, texturas avant pop y fantasías noir. Cinemáticas por excelencia que vertidas en tristeza, melancolía de otro mundo y contemplación son una muestra inquietantey por demás apreciables del trabajo exquisito y único del debut de Manuela Leal, totalmente autoproducido y disponible vía soundcloud. - Fellino blog


Discography

"Last Night I lit the Moon" EP - self-released July 2011
Played at BBC's Introducing with Tom Robinson,
BBC3's Late Junction

Photos

Bio


"This bafflingly brilliant Brazilian's 'sci-fi torch songs' sound like jungle music from a galaxy far, far away"
-Paul Lester, The Guardian

"It’s absolutely stunning...This is a music that is completely its own... “Last Night, I Lit the Moon” is a subtle, but ambitiously bold marrying of human possibility and the concept album. Anna-Anna is everything and nothing in these songs."
- Their Bated Breath blog

Anna-Anna is one-woman experimental electronic/ sci-fi pop band based in Rio de Janeiro. Informed by soundtracks, forlorn ballads and french chanson/pop, Anna-Anna is an homage to the fictional every-woman from films. Manuela Leal is the singer, song-writer, producer and art-director for this project. Anna-Anna started in early 2011, releasing her first EP "Last Night I lit the Moon" digitally on July 01, 2011. Anna-Anna was described as "bafflingly brilliant" on Paul Lester's column "New Band of the Day" on The Guardian website. Anna-Anna's music was featured on Tom Robinson's Introducing show on BBC6, and on NPR's Alt Latino blog, among others.

Manuela Leal describes Anna-Anna as "an alter-ego that lives in fictional world where everything is possible. 'Anna-Anna' is a name that sounds common and neutral in any language. Anna-Anna, the double. Anna-Anna, the superhero that turns ice into gold. 'Anna' is also the first name of Anna Magnani, the Italian actress. Anna-Anna is "the idea that we can re-organize reality according to our dreams, not the other way around…music (that) provides alternate models of existence that can be inhabited by anyone" .

The music consists of synth sounds and textures, sparse beats and lyrical narratives that involve basically superpowers, time travel, and affecting the built and natural environments through imagination. The vocals hover in-and-out over the music, somewhere between whisper and spoken words. Anna-Anna writes electronic, melancholic torch-songs of longing with vocals that recall French and Italian singers from the 60's and 70's like Françoise Hardy and Ornella Vanoni.

Anna-Anna's EP "Last Night I lit the moon" was written, arranged and recorded at her home in Rio de Janeiro. It features four tracks that explore the themes of cat-like laser vision and metaphysical superpowers ("Cat-Eyes"), mental travels to the moon whilst longing for a long-lost lover ("Last night I lit the moon" , the unraveling of one's american dream ("Mirrors of America"), and the inhabiting of the myth of Icarus of flying too close to the sun ("Tiny Feathers").

Manuela Leal was born and raised in Rio de Janeiro, and moved to the US as a teenager, settling in New Haven, CT and eventually to New York where she became a visual artist. Several years later she moved back to Rio to focus on music.

Anna-Anna played her first live shows at The Great Escape Festival, and Liverpool Sound City festivals in the UK.