Caio Marques
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"Caio Marques lança segundo disco-solo"

O “gente boa da melhor qualidade” Caio Marques (http://caiomarques.com/), ex-Bad Folks, lança um novo trabalho-solo neste mês, em Curitiba. Por enquanto, duas músicas já podem ser ouvidas no MySpace (http://www.myspace.com/caiomarques) ou no Trama Virtual (http://www.tramavirtual.com.br/caio_marques). É o segundo disco do músico e compositor. O primeiro, lançado em 2006, leva apenas o nome do autor e foi todo feito pelo próprio artista, desde as composições até a execução das músicas. No primeiro, ele tem um jeito falado de cantar que destaca bem as boas letras, que funcionam como crônicas do cotidiano, mais para a prosa do que para a poesia. Neste segundo trabalho, pelas duas músicas que foram ofertadas na internet, as letras continuam com a mesma característica. Na faixa-título, há mais intervenções eletrônicas, mas sempre com um violão destacado e bem tocado, que se evidencia na segunda faixa, “Na Casa Não Mora Ninguém”.

O lançamento oficial do EP Cidade Vazia está marcado para o dia 23 de abril no James, em parceria com a Maamute Produções. Caio avisa que vai tocar acompanhado do velho parceiro DJ e baterista Felipe Akel e de Rafael Martins (Wandula, Bad Folks), tocando não a guitarra com a qual estamos acostumados, mas o baixo, com participação do guitarrista Kinho (Fox & Lady), em algumas músicas.

- Gazeta do Povo


"A cor dessa cidade"

São comuns histórias de compositores amigos que se unem em uma banda pra tocar suas "músicas próprias", mas algumas são tão próprias que precisam ser escoadas em um projeto realmente solo: Crosby, Stills & Nash e Grizzly Bear são apenas duas pontas dessa linha, que geralmente confunde-se com a história do próprio folk e com a própria história da grande-canção. O trabalho solo de Caio Marques é uma extremização de sua estética de composição que já conhecemos do Bad Folks, onde divide os holofotes com o amigo Cassim. A banda não acabou, ainda que ambos estejam intensamente envolvidos neste momento em caminhos pessoais. Cassim vem despejando garagismo e kraut bem particulares via seu Barbaria. E Caio acaba de lançar um dos álbuns de música-brasileira-nova mais instigantes do ano, ao lado dos de Romulo Fróes e Pullovers.

É um EP na real (baixe), chama Cidade Vazia, e que compra o perigosíssimo desafio de misturar tudo: métricas hip hop (uma das taras de Caio), pós-bossa, fado, folk inglês renascentista, folk U.S, música francesa. De modo que, durante a audição, descobrimos que Nick Drake nasceu na verdade na Portela, e Gainsbourg é um negão do gueto ou da região portuária de uma cidade do Porto acinzentada. Nessa mistureba, Caio soa ora deslocado, ora mestre, mas se soasse sempre mestre não seria tão bom quanto é, porque a graça do EP está exatamente em sua capacidade de soar desavergonhadamente pessoal e prazeroso como ato de escoamento musical de características de uma personalidade... Bom, escute, baixe e leia:

Queria que você me dissesse qual é o rumo que você vê pra sua música de uma forma geral, se é exclusivamente essa onda solo... E queria saber como você conseguiria "descrever" essa onda.
Se você ouvir os discos do Bad Folks vai perceber que as músicas, ou são minhas, ou do Cassiano, não conseguimos fazer parcerias, nosso processo de composição é muito parecido e geralmente chegamos no ensaio com as músicas prontas. As que eu canto são minhas, e ele canta as dele, somos dois artistas solo, mesmo quando estamos na banda. Temos uma unidade porque nos conhecemos há muito tempo, crescemos juntos e ouvimos coisas muito parecidas nossa vida inteira. Mas temos diferenças também, eu gosto muito, por exemplo, de samba antigo e hip hop, coisas que ele não é muito ligado, ele curte Neil Young e psicodelia, eu já acho hippie demais. Então é natural que tenhamos várias músicas que não se encaixam no repertório da banda. Nossos trabalhos solo são naturais e necessários, desenvolvemos eles muito antes de formarmos o Bad Folks. Meu trabalho é uma continuação do que venho fazendo desde que formei minha primeira banda, nos anos 90, "Os Frutos Madurinhos do Amor", que já tentava misturar Hip Hop com folk, bossa nova e samba, duma maneira bem mais primitiva, quer dizer, com menos recursos técnicos, mas sempre procurando uma sonoridade que não parecesse forçada.

Queria que você comentasse faixa a faixa do EP, livremente, inclusive "Distance".
1- "Cidade Vazia": Compus em São Paulo na casa de uma amiga que fica num segundo andar da região da Consolação. Acordei cedo, ouvia um barulho insuportável, sirenes, gente pra caralho e ao mesmo tempo uma sensação de isolamento. Fala de solidão e relacionamento.

2- "Enquanto o tempo passa": é a música mais antiga. Quase entrou no primeiro disco, mas não fiquei satisfeito com o arranjo. Era um funk. Aí tentei fazer um arranjo baseado em Elizabeth Cotten e Mississippi John Hurt, que são dois mestres do Fingerpicking, uma técnica tradicional de violão americana. Botei elementos eletrônicos e ficou legal. Fala de sonho, timidez e paralisia diante de uma situação que envolve sentimento.

3- "Filme Lento" - Quis fazer uma experiência com o funk carioca, gênero que, na minha opinião, se aproxima de marchinhas carnavalescas. A letra é irônica, fala de um cara que tem interesses do tipo filmes de arte e Elvis Costello querendo conquistar uma patricinha que se acha funkeira. Figuras típicas que podem se encontrar por aí, e que dificilmente conseguem dialogar.

4 - "If I Was Half What You Are" - Era pra ser do Bad Folks, mas não conseguimos chegar no Clima Andrew Byrd que eu imaginei para a música. Então resolvi gravar sozinho. Continuou não tendo nada a ver com o Byrd, mas gostei do resultado. Meu primeiro disco já tinha duas músicas em inglês, gosto da facilidade com que a língua encaixa nas melodias. Parece até que é mais fácil escrever em inglês.

5 - "Na casa não mora ninguém" - É a mais nova, meu pai diz que parece um Fado. Gosto da idéia , mas tenho que confessar que não conheço direito o gênero portuga. São só dois violões e voz, o solo é executado pelo meu amigo Kinho, um super guitarrista de jazz. O foda é que no show eu que vou ter que solar. Meeedo. A letra é uma crônica urbana e fala basicamente de indiferença, violência, desigualdade, antidepressivos, enfim, coisas comuns.

6- "Pepeu" - Essa é a música que mais se parece com minha antiga banda, o Frutos Madurinhos do Amor. Uma progressão harmônica de samba com base e vocal de Hip Hop. A letra é uma homenagem a pessoas, coisas e lugares que foram importantes para mim. Há citações de Noel Rosa, Fausto Fawcett, Pepeu Gomes, Mário Reis, Bob Dylan, amigos, trips de bicicleta, mulheres, Kant, Pinhais (cidade da periferia de Curitiba onde cresci).

7- "Distance" - Só dá pra ouvir aqui na Trama! É um samba-canção eletrônico com cuíca e letra em francês. A letra fala de um imigrante ilegal brasileiro que se apaixona platonicamente por uma francesa daquelas! Tenho muitos amigos e bandas francesas adicionadas no Myspace, e me correspondo com eles frequentemente. Estudei francês na Faculdade, sou formado em letras. Parece que os franceses gostam do que eu faço. Um dia vou tocar lá!

Gostaria que me comentasse como você vê a agitação atual de Curitiba e como ela influenciou o EP.
Tem muita agitação por aqui. Bandas sensacionais. Cada vez mais e melhores. Nos anos noventa as bandas não eram tão boas! Mas não dá pra dizer que a cena me influenciou, na verdade eu quase não saio de casa, só para tocar mesmo. E o trabalho que faço é mais baseado em referências do que gosto de ouvir em casa.

E quais os planos reais agora com ele na mão - viajar fora como seu amigo Cassim por exemplo?
Sim, com o primeiro disco, toquei em Sampa, Floripa, Curitiba e outras cidades, as faixas tocaram em Rádios de Belém do Pará, Nova Iorque, Paris, Inglaterra. Até saiu uma música minha numa coletânea que foi encarte do jornal inglês The Guardian. A idéia agora é tocar em mais lugares, o show que estou preparando para o lançamento do CD, junto com o Rafael Martins (Ruído/MM, Wandula) e o DJ Felipe Akel está ficando redondo! Não vemos a hora de sair tocando por aí. E fora do Brasil também, claro!

O que foi mais difícil em relação a fazer esse trabalho.
Faço tudo no meu home-studio, gravação, mixagem, masterização. Felizmente agora consegui montar um equipamento decente, quase profissional, coisa que eu não tinha no primeiro disco, mas o processo é bem trabalhoso e requer muitas horas de trabalho. Mas faço por que gosto, tenho necessidade mesmo. A parte mais difícil de ser independente é bancar tudo, capinha, prensagem, viagens, às vezes até o cartaz para o show. Infelizmente a grana que ganho fazendo shows ainda não cobre essas coisas e tenho que buscar outras fontes de renda para pagar as contas. Mas vou continuar acreditando no que faço, e trabalhando, um dia as coisas se invertem, né?

A MPB brasileira atual, com poucas exceções, é ridícula, de uma forma geral. Ela despreza a riqueza lírica característica e inerente à sua própria história. Você concorda? Você acha que, por vias transversas (pescando em Nick Drake, por exemplo), você retoma essa riqueza lírica?
Cara, concordo sim! Parece que a coisa parou no Paulinho da Viola e no Chico Buarque, depois disso a MPB foi se tornando bunda! Você já viu a quantidade de cantoras que interpretam basicamente o mesmo repertório? E quase não se fala em melancolia, amor que não dá certo, cotidiano, boemia, cachaça, drogas. Temas que eram muito bem tratados no samba antigo, na bossa nova, por gente como Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Adoniran, Chico, e por caras como Nick Drake e Bob Dylan. Tudo é muito exaltado, alegre, forçado. Ninguém mais diz o que sente. Acho que é porque não vende. Mas tem muita coisa boa sendo produzida por aí, a maioria independente. O Romulo Fróes por exemplo, é legal. O funk carioca é interessante como gênero, há muito o que explorar, não devemos negar nossa tradição musical. Mas também tem que haver inovação, coisa que o mercado fonográfico não permitiu nos últimos tempos. Talvez agora com a reestruturação do mercado, assistamos um ressurgimento do lirismo na nossa música.
- Trama Virtual


"Caio Marques e seu novo trabalho solo."

á estão no myspace duas faixas do novo projeto solo de Caio Marques (Bad Folks, Gente Boa da Melhor Qualidade). Cidade Vazia é a bossa urbana eletrônica que dá nome ao EP que será lançado dia 23 de abril no James Bar. A outra música é na Casa Não Mora Ninguém, que tem participação especial no Violão do guitarrista Kinho (Fox & Lady). O myspace de Caio Marques é o http://www.myspace.com/caiomarques . Mais informações sobre o músico e outros trabalhos produzidos por Caio Marques podem ser conferidos no site http://caiomarques.com”

Caio é músico-letrista, que tinha na extinta banda “Frutos Madurinhos do Amor” um pouco da irreverência da bossa brasileira quando o conheci. No Bad Folks, Caio levou essa irreverência e no seu trabalho solo, além disso, misturou uma poética muito particular como pude ver no seu trabalho de lançamento solo de 2006.
A música “Desista”, assim como a maioria das composições de Caio me lembram um Woyzeck das antigas no módus-operandi do versalizar a canção, com um rocambolesco de palavras contando a história e dando ênfase no violão, muitas vezes uma pegada hip-hop se intromete no meio dos samplers e pedais.

Ainda em “Desista” a ironia de Caio se passa num pequeno macro-mundinho onde as pessoas vivem dentro da conveniência das aparências no caos da cidade metade grande, metade hipócrita, metade triste e absorta em sí.
Porém sem radicalismo punk, sem críticas, ele ironiza o fato de forma muito divertida e você percebe que conhece um monte de pessoas como o personagem da música.

Dentro da composição mais depressiva encontrei já nas faixas do álbum de 2006, “Último a sair” com uma balada de dor, uma balada de desamor e fuga. O refrão é a cara da cidade, naquela questão tédio aborrecimento. Uma música muito forte! Acaba aquele dedilhado de violões gotejando na garganta uma gota de fim, de água, de álcool…

Melodia do caos urbano curitibano à parte, fico agora pra ouvir as novas composições que contarão com um videoclipe pelo artista Cleverson Oliveira. “Cidade Vazia” e na “Na casa não mora ninguém” ainda carregam o peso da melancolia irônica, bossa tudo, bad rock, rock e violão. Esta música é o perfil do tédio e da beleza da sua cidade, da nossa solidão, da hora de escolher e da hora de fugir da stress, dos amores, da repressão silenciosa do dia-a-dia. Forma um discurso solitário cheio de meandros sócio-políticos transbordando pensamentos. Perturbadoras!

Uma “mero desvairio.”
Caio Marques:
http://www.myspace.com/caiomarques
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=27130 - Mondo bacana


Discography

Caio Marques LP - 2006

Cidade Vazia EP - 2009

Photos

Bio

The Brazilian singer-songwriter Caio Marques has just released his second solo album: Cidade Vazia. Following the same approach of his first work - Caio Marques (2006) - but improved, the EP Cidade Vazia is available for free dowload in the artist's website. www.caiomarques.com

Rap, Hip Hop, samba, bossa nova and folk rock harmonies are some of the elements in Caio Marques unique sound. He released his debut in 2006 , a 10 song affair that ought not to be missed. Caio recorded and mixed it at home, but its musical quality surpasses any technical limitations, which perhaps have even played an important part in the making of this truly masterpiece of modern Brazilian music. The song "Desista" became a hit in the Brazilian independent scene, and was included in the UK compilation "Nova Musica do Brasil" (2007).

Caio Marques, 36, has studied classical guitar since he was a kid, but his childhood soundtrack was old school samba from the 30s, 40s and 50s, while in his teens he played and listened to pop, rock, punk, post punk and folk. All this information can be detected in his musical projects, starting at the end of the 80s. In 1989, he formed with the bass player Guto Gevaerd the band Frutos Madurinhos do Amor, an intelligent and often humorous take on the Sao Paulo vanguard scene of the time, which included artists such as Rumo, Itamar Assuncao and Arrigo Barnabe. By then, he was already flirting with hip hop and rap, and tried to make musical connections with it. Frutos Madurinhos had many different formations and rarely played live, but is considered in Curitiba - where he has always lived - to be a legendary act. Frutos disbanded in 2004.

In 1996, Caio formed Gente Boa da Melhor Qualidade, a band devoted to old school samba standards and b-sides from Adoniran Barbosa, Noel Rosa, Geraldo Pereira, Cartola, Nelson Cavaquinho and others. The band is still active and its shows are a hit in south Brazil. Six years later, he formed with Guto Gevaerd, Cassiano Fagundes, Andre Scheinkmann and JC Branco the band Bad Folks (which is the opposite of Gente Boa in English). Bad Folks is a very active outfit in the Brazilian independent scene and famous for its freak-punk-folk-rock sound. They released three records, a video produced in New York, played in different cities in Brazil and in Spain. With Bad Folks he released the EP Bad Folks(2003) and the full-length LP Impossible (2008).

Caio capitalized on everything he has done musically and as a writer and started to compose songs with lyrics full of delusion, bohemia and nightlife stories. Those themes have been popular in Brazilian pop music since the beginning of the 20th century, after all. Caio's sound thrives with it: instead of reproducing western and globalized musical genres and styles, he combines them with his country's traditions and his own personality to create something different, unusual but accessible. Listen to it with attention; it will be a worthwhile experience.