Lucio Yanel
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Lucio Yanel

Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil | Established. Jan 01, 1961 | MAJOR

Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil | MAJOR
Established on Jan, 1961
Solo Folk Acoustic

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Music

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"Lucio Yanel - Folklore e raiz"

Folclorista argentino, compositor e grande nome do violão solista do sul, Lucio Yanel é considerado o “mestre da guitarra pampeana”. Difundiu no RS gêneros latino-americanos como a chacarera e o zamba, influenciando gerações – um de seus discípulos é o violonista Yamandu Costa. Premiado em diversos festivais nativistas, Yanel tem mais de mil canções gravadas em parceria com diversos artistas. Há mais de 30 anos vive no Rio Grande do Sul e seu trabalho, ligado à cultura sul-americana, procura conectar o presente com as raízes musicais do folclore.

Sempre estive na área do folclore argentino, que é a música da terra, rural, aqui chamada de nativista. Comecei a trabalhar com música aos 14 anos, e toco violão desde os nove – estou com 67, então tenho uma trajetória de 53 anos, sempre trabalhando em prol da cultura, da música da terra, da nossa identidade cultural enquanto latino-americanos.

Irmanados

A cultura tradicionalista gaúcha e a cultura platina estão bastante próximas, em função de que aqui é uma sequência do que se pratica em países como Argentina e Uruguai. O Brasil, por ser um país continental nas extensões geográficas e ter uma miscigenação muito acentuada, é um balaio de culturas. O que o Rio Grande do Sul faz é se apoiar dentro do que foi territorialmente legado a ele: uma função de fronteira. E quebrando fronteiras, se “irmanando” com as idiossincrasias que são as mesmas do sul, não somente no chimarrão e nos assados, mas nos usos e costumes, na própria maneira de ser. O perfil principal do Rio Grande do Sul é gaucho, gaúcho. A partir daí nós temos também as etnias que fazem a miscigenação deste estado – alemães, poloneses, italianos, que são muito fortes.

Música e folclore

A minha música é uma das mais puras que existem dentro do contexto da musicalidade popular gaucha. Eu trago uma ancestralidade maior, tenho um contágio maior, porque me criei compartilhando momentos de folclore, conversas, leituras e estudos com grandes nomes. Minhas referências musicais são muitas: na minha área “guitarrística”, Eduardo Falú, ícone dos violonistas clássicos de folclore na Argentina, e Atahualpa Yupanqui, uma pessoa que me deu a honra de ser seu amigo e que talvez seja o qualificador de tudo o que é folclore neste século e no século passado. Quando eu digo que sou folclorista, digo que sou um trabalhador da cultura, que se preocupa em divulgar os usos e costumes de um estado de coisas como o da América do Sul, e sou um pesquisador da música popular do continente. Estou sempre aprendendo para me localizar e não ficar afastado do público.
Linguagem e raiz

Participei 25 anos dos festivais, e agora deixei para os “pingos novos”, como se diz no campo. Não é que eu me sinta velho, mas as coisas vão mudando, tendo uma nova leitura. O jovem de hoje que gravita no âmbito dos festivais tem 20-30 anos, já tem outra concepção, a musicalidade e poesia já não são as minhas. Eu pertenço à dinastia de meus companheiros de composição Aparício Silva Rillo, Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá – é outra linguagem. Sei muito porque vivi intensamente, mas ainda tenho muito a aprender, justamente essa movimentação que se gera a partir da juventude, a nova dialética que se está praticando dentro do contexto da música popular do nosso Cone Sul. Eles têm uma linguagem nova e eu aprendo o suficiente para passar para eles uma mensagem, não de ancestralidade, mas de raiz – porque eu venho da raiz e eu sou a raiz.

Estudo da cultura

A cultura tradicional gaúcha é importante porque é a cultura da terra, em primeiro lugar. E a divulgação é essencial, mas também é essencial o estudo da cultura. Está faltando se aprofundar nas raízes do Rio Grande do Sul, conhecer de onde vem este gauchismo, ver se realmente o gaúcho é assim como se está divulgando, ou se há algum tipo de fantasia. Se há essa fantasia, até onde ela pode ser perniciosa, prejudicial às novas gerações? Me parece que o movimento tradicionalista, por exemplo, deve repensar algumas coisas, algum tipo de radicalismo na sua visão. Parece que em alguns momentos nós estamos sendo apenas brilhosos, e não brilhantes. Nós devemos pensar com seriedade, recuar, recapitular, dar um passo atrás para então dar quatro à frente, com certeza e segurança de que fazemos o certo. Porque não é somente para nós, mas para as novas gerações. É preciso estudar, revisar, se aprofundar. Não é só carne gorda, chimarrão e bailanta. Exatamente neste momento, aqueles gaúchos que nós estamos cantando, tocando e interpretando, milhares deles estão passando frio, fome, ao relento, nos corredores do campo e nas cidades, nos bolsões de miséria. São os gaúchos que vieram do campo, expulsos pelas novas tecnologias, pelos grandes monopólios. Isto é uma realidade, não é tudo festa. É de se revisar, entender, para poder cantar com responsabilidade, passando sempre uma mensagem. Comprometendo-nos, nós vamos melhorar nosso país – nosso Brasil, nossa Argentina, nosso Uruguai, nosso Paraguai, nosso continente sul-americano. Devemos almejar isso, e não cantar à toa.

Foto: Letícia Garcia - Jornal do Mercado


"Lucio Yanel, o Mestre da Guitarra Pampeana"

Em entrevista exclusiva para o Chamame.com.br

Lucio Yanel. argentino de Corrientes, violonista, intérprete, folclorista, exímio arranjador e compositor. É considerado o Mestre da Guitarra Pampeana. Yanel é a memória viva daquilo que o folclore Sul Americano produziu de melhor nos últimos cinqüenta anos. Estudioso minucioso, intelectual e erudito, passou os últimos trinta e cinco anos recorrendo a América do Sul e Brasil pesquisando formas, sons e ritmos.
Yanel chegou ao Brasil no ano de 1982 e radicou-se no Rio Grande do Sul (RS) motivado pela similaridade de usos e costumes com sua Argentina Natal. A sua origem correntina, nascedouro do chamamé, o levou de maneira natural a se radicar no RS, já que como ele mesmo diz “estar no sul do Brasil é como se fosse estar em uma região familiar”.

Maestro Yanel, como é chamado pela legião de admiradores e artistas que o reverenciam, é considerado pelos críticos e acadêmicos da área musical como o violonista mais importante de todos os tempos no RS na área folclórica. Seu trabalho está mais do que ligado a cultura do RS. É, na verdade, uma das bases que sustentam a musicalidade do estado.



Mas não é só da musicalidade do sul do Brasil que fala a arte do grande guitarrista. Ao escutar a obra de Yanel, fica-se com a impressão de estar focando a síntese de toda uma região do planeta, O Cone Sul da América. Por ser um músico e um poeta, o artista está aberto de maneira perene a receber as informações culturais que emanam dos paises que compõem o cenário comum da América do Sul. E por possuir um talento natural, consegue codificar através de sons e palavras os usos e costumes de seus hermanos.

Muitas são as informações guitarristicas que forjaram o formidável guitarrista. A sonoridade, magia e virtuosismo que sentimos no toque de Yanel emana do conjunto de informações que recebeu de grande mestres como Atahualpa Yupanqui, Eduardo Falu, André Segovia e Baden Powell.

Dentre os vários artistas com quem atuou no campo da produção autoral e apresentações artísticas, Yanel destaca Atahualpa Yupanqui, com quem manteve laços de amizade.

Lucio Yanel é o mestre de Yamandu Costa, seu discípulo de maior projeção.

O currículo vitorioso é extenso: participou de centenas de discos e DVDs de vários artistas. Suas obras solo, em vinil e CD, são: La del Sentimiento (1983), Guitarra Pampeana (1986), Aunque Vengan Degollando (1997), Acuarela del Sur (2003), Acurela del Sur II (2006) e Dois Tempos (2001), em parceria com citado Yamandu Costa. Recentemente, lançou Mistérios do Chamamé (2009).

Colaborou como intérprete e autor nas trilhas musicais dos filmes “Neto Perde sua Alma” e “Lua de Outubro” e, como ator, foi destaque interpretando o capitão castelhano no seriado “O Tempo e o Vento”, obra de Érico Veríssimo.

Ao longo de sua carreira foi agraciado com mais de duzentas premiações. Recebeu dois Prêmios Açorianos em 2001 como melhor Disco Instrumental e melhor Instrumentista Regional. Dois mil e quatro trouxe outro Açorianos, premiando “Aquarela del Sur I” como melhor disco regional do RS. Yanel se consagra, assim, como o único violonista a receber três Prêmios Açorianos no RS. Em 2005, a Assembleia Legislativa do RS, conjuntamente com a Associação dos Municípios e o Banrisul, consagram o mestre correntino como “Destaque Cultural do Mercosul”, recebendo a Comenda Negrinho do Pastoreio.

Artista de rara sensibilidade, seja explorando a sutilezas do instrumento, com toques ora viscerais, ora nostálgicos, é capaz de transmitir como ninguém o sentimento que se aninha em cada um dos habitantes da América. “A linguagem sentimental é a mesma em todos nós, latinos”, diz Lucio.

Assim, encontra-se em Yanel um instrumentista que executa com propriedade tanto um tango, que é uma expressão urbana e contemporânea, como a canção mais profunda das entranhas da terra ou da montanha

No concerto Aquarela del Sur, que acontece em turnê nacional e internacional em 2010, podemos apreciar a singularidade e maestria da execução da guitarra de Lucio Yanel. “O que identifica minha música é esse traço muito forte do espanhol, dos mouros, algo muito sentimental. As minhas raízes são mouras e a minha música nasce nessa mistura toda, que foi também se moldando na linguagem campeira, criolla”, afirma. No espetáculo interpretações magistrais de músicas de autoria do próprio Yanel e dos grandes temas do folclore Sul Americano. Ao dedilhar sua guitarra interpretando “El Condor Pasa”, o artista se inventa asas. Ele se eleva às montanhas dos seus sonhos e utopias e voa lado a lado com o senhor dos Andes, o magnífico condor. Neste momento, Yanel é o próprio condor! “Sinto que vôo sem radar, apenas com o Sul que tenho no coração me dizendo para onde tenho que ir”. E assim, o grande maestro se converte em soberano da sua própria existência. Com esta interpretação, Lucio Yanel entrega ao público a sua própria alma.

No seu mais recente trabalho, o álbum Mistérios do Chamamé, através de músicas como “Pantanal” e “Flor e Truco” é possível penetrar nas profundezas do assombro que esta forma musical, o chamamé, natural da cultural guarani, proporciona em suas diferentes formas de se manifestar.

Recentemente, Yanel fez um show no Festival de Chamamé, em Corrientes, na Argentina. Em fevereiro, fez, ainda, uma participação especial no espetáculo de Raul Barboza no teatro Las Trastiendas, em Buenos Aires.

Em entrevista exclusiva para o Chamame.com.br, Yanel fala da carreira, da vida e dos planos para 2010.

Pouca gente sabe que você começou a carreira como cantor de tangos e boleros na Argentina. Como foi viver a era de ouro do tango em Buenos Aires?

Para falar a verdade, eu vivi a época em que tudo que acontecia em tangos já era pós era de ouro. Embora o tango, pelas suas características, seja um sentimento perene e duradouro, como o próprio ouro, comecei como cantor de tangos e boleras por que eram as formas musicais que nessa época, começo dos anos 60, embalavam os jovens que viviam, assim, a própria tradição da cultura musical argentina que passava de pai para filho. Essa minha etapa de cantor começou quando eu tinha 14 anos e já tocava violão, mas utilizava o instrumento apenas para me acompanhar.

Quando foi que você descobriu que tinha um talento a mais como instrumentista?

Foi mais ou menos aos 16 anos que eu me descobri um violonista. Me dediquei a aprofundar este talento que Deus me deu. Através dos ensinamentos que me eram ministrados por violonistas mais velhos e, logo a seguir, por gente muito experiente e profissional que já atuava em Buenos Aires, onde, por essa época fui, morar.

Quais são as fontes que o formaram ou o inspiraram como guitarrista?

Na verdade eu sou fruto de uma multiplicidade de referências. No folclore argentino, Atahualpa Yupanqui e Eduardo Falu. No violão erudito, André Segovia. Na música brasileira, podemos citar Baden Powel.

E dos violonistas brasileiros atuais, quem você destacaria?

Na MPB, Sebastião Tapajós. No nordeste, Henrique Annes. No chorinho, Rogerinho Sete Cordas e Alessandro Pennessi. No Mato Grosso, Marcelo Loureiro. No Rio Grande do Sul, Mauricio Marques. E englobando tudo isso, Yamandu Costa.

Fale um pouco sobre a sua relação com Atahualpa Yupanqui.

Fomos amigos. Pouco convívio, resultado da extensa agenda profissional do mestre Atahualpa e por ele morar na Europa. Entretanto esse convívio sempre foi enriquecido pelas orientações que ele gentilmente me brindava, ora para aspectos profissionais assim como para minha condição de ser humano. Fui honrado com duas poesias suas para que eu colocasse música me convertendo, assim, em um dos poucos privilegiados em ter parceria autoral com o mestre. Entretanto, apenas “Me anda buscando una bala” foi registrada em um dos meus discos.

Você é considerado o Mestre da Guitarra Pampeana. Como você define o seu estilo único de tocar?

Simples, sem rebusques e puro sentimento.

Os profissionais da área acadêmica pensam em Lucio Yanel como sendo o violonista mais importante de todos os tempos no Rio Grande do Sul. Qual é, na sua opinião, a sua contribuição mais importante para a música do sul do Brasil?

Tudo que eu fiz desde que cheguei em 1982 é importante. Cabe ao público que acompanhou minha carreira até aqui e aos críticos especializados julgar e determinar o que eles consideram o mais importante. Apenas sei que, com certeza, tudo que fiz foi com a intenção de me somar ao movimento cultural e musical de um estado onde a cultura, em todas as suas expressões, é uma das suas bandeiras.

Você foi merecidamente homenageado por importantes poetas gaúchos, que o reconhecem como o mestre da guitarra pampeana. Em “Guitarreio para um Guitarrista”, o poeta .Luis Coronel diz: “Quando ele fecha os olhos/ Nos prodígios de seu dom/ Viaja pra dentro de si/ Navega em ondas de som”. Para onde esses versos o transportam?

O poeta Luis Coronel é um arguto observador dos elementos do qual se nutre para poetizar a vida. Ele tem me observado e concluiu que é assim que a minha arte se expressa. Ao fechar os olhos eu estou procurando me unir às ondas do som que são emitidas pelo próprio cosmos. Por isso, o meu som, ao mesmo tempo que é universal está vestido de singularidade. Sem dúvida, no momento dessa união, entidades particulares me visitam.

No espetáculo realizado recentemente em Buenos Aires você foi aclamado pelo público. Qual a sensação de voltar a se apresentar na cidade que o projetou como artista?

É a mesma sensação que sentimos quando estamos dando o primeiro passo para caminhar duzentos mil km. Muita vontade no coração e a emoção à flor da pele. E é exatamente isso que farei depois de uma ausência de mais de 30 anos em Buenos Aires. Posso lhe assegurar que isso representa pra mim um novo motor, uma nova vida.

Você sempre afirma que se orgulha de ter nascido correntino. Como foi seu reencontro com o público no Festival do Chamamé, em Corrientes?

Foi emocionante sob vários aspectos. Primeiro, o Chamamé faz parte do meu próprio ser. Segundo, voltar ao pago já é maravilhoso. E terceiro, mais lindo ainda, é a gente se encontrar com um público onde a juventude se destacava afirmando, assim, que os povos com tradição, estirpe e raça, jamais serão alvo de qualquer poder destrutivo em suas tradições.

E seus planos para a Argentina?

Meus planos para a Argentina correm paralelamente com o que farei no Brasil. Tenho a sorte de contar com uma empresa de produções artísticas muito competente que está trabalhando minha turnê nacional e internacional, começando, naturalmente, pela Argentina. No plano pessoal, idealizei um retorno a Buenos Aires, montando um estúdio de pesquisas sobre a nossa cultura, procurando morar em um bairro portenho onde se respire cultura como, por exemplo, o bairro de São Telmo. Ai, entre as ruas que tanto lembram as ruelas de Paris, como as callecitas de qualquer pueblo interiorano, penso em deixar a alma livre, solta e espontânea para ditar os meus caminhos da composição e da poesia. Aliás, é exatamente isso que tenho feito nos últimos três meses. Nas duas viagens que fiz recentemente a Buenos Aires, busquei material discográfico e bibliográfico para solidificar as minhas bases de informação e assim repassar ao meu público tudo que tem de novo e o culto que ainda se faz das tradições. Isso já faço e continuarei fazendo nas minhas apresentações artísticas. Entretanto, aconteceu de ser convidado por uma rede de comunicação do Rio Grande do Sul para produzir e apresentar um programa de rádio justamente sobre a temática Chamamé.

Fale um pouco sobre o programa

Será um programa de uma hora de duração que se ocupará especificamente da difusão do chamamé em todas as características que pode ser expresso através dos chamameceros gaúchos, correntinos, matogrossenses, paraguaios, enfim. Será uma verdadeira festa de confraternização entre os povos de origem guarani, que é a origem do chamamé. Além de apresentar o mais autêntico chamamé, contarei aos ouvintes um pouco da memória que trago de meus trabalhos, convívio e amizade com os grandes chamameceros, como Cocomarola, Isac Abitbol, Ernesto Montiel, Tarrago Ros, Raul Barboza, Ramona Galarza, Teresa Parodi, entre outros. É a história do chamamé contada pelo ângulo de um correntino que a viveu e vive na sua realidade mais autêntica. Farei, ainda, algumas interpretações ao vivo com a minha guitarra, claro. Acho que o público vai gostar.

Nos fale sobre o concerto Aquarela del Sur?

Aquarela del Sur é um mosaico musical do Continente Sul Americano, de ritmos e sotaques onde se misturam zambas, chacareras, chamames, milongas, tangos mas, antes de tudo, um toque de ancestralidade.

Como classifica o atual estágio da sua carreira?

Todos os momentos nos situam em um estágio. Todos são bons, entretanto o atual é talvez aquele em que maior proveito tiro de tudo o que aprendi. Assim, sou um instrumentista que trocou a velocidade de execução pela maturidade. Que brinda um som bem colocado mesmo que seja com uma corda só, ou valoriza a linguagem que proporciona o silêncio.

O que você tem a dizer para os amigos do site Chamame.com.br?

Que por ser correntino e chamamecero me sinto feliz de estar entre os meus pares, sejam eles sul-matogrossenses, gaúchos, correntinos, paraguaios, todos unidos por uma artéria maior onde pulsa a magia do Chamamé. - Chamame.com.br


"Passo Fundo é a pedra angular da minha história no RS"

Violonista Lucio Yanel participou de show em sua homenagem na programação de quinta-feira no XVI Rodeio Internacional

Aos 68 anos, o músico Lucio Yanel continua formando discípulos de uma escola de violão que ele trouxe na bagagem e difundiu principalmente no Rio Grande do Sul, quando decidiu trocar a Argentina pelo Brasil, no início dos anos 80. O mais novo deles, de uma lista que inclui nada menos do que Yamandu Costa, é Gabriel Selvage. Natural de Não Me Toque, mas residindo atualmente em São Paulo, o músico, de 25 anos, decidiu montar um show interpretando as obras do mestre.

Batizado de Yanel – Flor y Truco, o projeto iniciou por Passo Fundo, quinta-feira à noite, no palco do XVI Rodeio Internacional, e contou com a participação especial de Lucio. A escolha da cidade para a largada de uma iniciativa que deve render, além de diversas apresentações, um CD e um DVD no primeiro semestre de 2014, não poderia ser mais apropriada. Yanel considera Passo Fundo a porta de entrada de sua música no estado. Uma história que o acaso se encarregou de escrever, a partir da amizade dele com Algacir Costa, pai de Yamandu.

“Em 1982, após a guerra das Malvinas, a Argentina estava em crise econômica, também não havia clima para shows. Não tinha espaço para trabalhar. Muitos artistas partiram para a Europa, como eu já havia morado em São Paulo nos anos 70, inclusive, tive um restaurante lá, decidi voltar. Quando alguns amigos descobriram que eu passaria pelo Rio Grande do Sul, pediram que eu entregasse alguns discos e partituras para uma pessoa chamada Algacir Costa, em Passo Fundo. Cheguei numa noite gelada, 14 de julho de 82, lembro bem porque era aniversário do meu pai. Passo Fundo é a pedra angular da minha história no Rio Grande do Sul, foi aqui que tudo começou” recorda.

Logo na chegada, o anfitrião tratou de arrumar trabalho para o amigo que acabara de conhecer. Yanel se apresentou em uma das noites da primeira e única edição do festival Carreta da Canção, e não parou mais. O virtuosismo e o estilo do músico impressionaram. “Arrumei trabalho para seis meses. Fui ficando e nunca mais saí do Rio Grande do Sul. São Paulo está até hoje me esperando” conta, lembrando que chegou a montar uma escola de violão no centro da cidade com o amigo.

“Algacir era um estudioso do folclore argentino, um multinstrumentista, dono da maior estrutura de shows para a época, viajou o Brasil todo” recorda. Sobre a influência de seu estilo na formação musical de Yamandu, o argentino, natural de Corrientes, se diz orgulhoso. “Quando criança dormia nos pelegos ouvindo a gente. Desde bebê já viajava com o pai. Respirava música o tempo todo. Era algo intrínseco na pele dele. Se criou comigo até os 18 anos. Sinto muito orgulho disto” afirma.

Yanel também não poupa elogios ao falar do novo pupilo. “Gabriel tem um domínio total do instrumento. Lembro de quando tudo começou até agora. Não me dei conta das sementes que ajudei a semear. Me enche de felicidade ver essa gurizada tocando tão bem” diz emocionado. - O Nacional


"Yamandu Costa fala sobre a influência do mestre Lucio Yanel no violão"

Violonista argentino é o personagem central da reportagem da Revista Almanaque

O argentino Lucio Yanel, 66 anos, deixou Buenos Aires no final da Guerra das Malvinas, em 1982, disposto a fixar raízes no Rio Grande do Sul. Escolheu o Estado pela semelhança cultural entre os povos e, recém chegado, começou a dedilhar seu violão para viver.

Na página do Pioneiro no Facebook, deixe sua opinião sobre qual o momento mais marcante do show de Yanel com o grupo Yangos no último dia 21

Mais do que mostrar talento e sensibilidade, ele transformou a maneira como o instrumento é percebido no Rio Grande do Sul. Mestre de Yamandu Costa, estendeu essa influência ao país. Há muito do sotaque das cordas de Yanel na música produzida por aqui.

— Lucio é peça fundamental não só no violão do Rio Grande do Sul, mas do Brasil. Por meio dos discípulos dele, como eu, acabou latinizando o violão brasileiro — afirma Yamandu, o aluno mais célebre.

Confira, no vídeo, Lucio Yanel tocando a canção Sueño del Ayelen

Confira, no vídeo, Lucio Yanel tocando a canção La Cara de Pedro - Pioneiro


Discography

  • `La del Sentimiento`
    (1983), 
  • `Guitarra Pampeana` (1986), 
  • `Aunque Vengan Degollando` (1997), 
  • ' Dois Tempos` a duo with guitar virtuoso Yamand Costa (2000)
  • `Acuarela
    del Sur` (2003), 
  • `Acuarela del Sur II` (2003), 
  • `Misterios do Chamame` (2009), 
  • `Folklore
    Argentino` (2012). 

Photos

Bio

Lucio Yanel, musician, composer, poet, master of guitar masters, actor, folklorist. So many lives in one only soul, so many facets of a personal authentic way of being.

Don Lucio Yanel, as he is lovilingly called by his friends, guitarrist and poet of the earth matters as well as of soul matters, of anonymous villagers' matters, of the simple things of life. Speaking about Lucio Yanel becomes an interesting challenge when we seek for words that describe someone who is himself a guitar master and an eternal student of life at the same time.

Each note of his guitar carries stories, places, persons, emotions and memories of a gone time that is reborn again and again .

Born during some thursday in 1946 in Corrientes, Argentina, he professionally started to earn his living with his music at 14 years old as guitarist of local singers. In 1982 he settled in Rio Grande do Sul, Brazil, where he became part of the main regional music festivals year after year. He has continually been concerned to writing a new page in the southamerican guitar history, incorporating a very particular way of playing solo guitar, a virtuoso style that got rid of rigidities and redundancies.

Fruit of this, the solo guitar gained wider spaces in the regional music festivals, where people fell in love with the music of this self-taught musician. Moreover, he became a musical reference in southern Brazil, in whom further generations of musicians (like Yamand Costa, Thiago Colombo and Marcelo Caminha) found reference, counsel and friendship, forming alltogether a distinctive and influencing guitar movement. In this way, he contributed to spreading latinamerican rhythms like Chamam, chacarera, rasguido doble and zamba among the music stages in Brazil. 

Along his lifetime, Yanel performed together with many stars of the argentinian musical scene like Antonio Tarrag Ros, Chaloy Jara, Ral Barboza and Isaco Abitbol. He either invited or was invited to record with most of brazilian Rio Grande do Sul virtuosos like Gilberto Monteiro, Jayme Caetano Braun and Luiz Marenco. Not surprinsingly, there are joint-compositions together with famous milestones of regional culture: Atahualpa Yupanqui, Renato Borghetti, Noel Guaran, Gacho da Fronteira, Luiz Carlos Borges, etc.

He recorded 15 albums, the following featuring him as soloist: `La del Sentimiento` (1983), `Guitarra Pampeana` (1986), `Aunque Vengan Degollando` (1997), `Acuarela del Sur` (2003), `Acuarela del Sur II` (2003), `Mistrios do Chamam`, `Folklore Argentino`. He recorded `Dois Tempos` a duo with guitar virtuoso Yamand Costa.

He has been awarded several acknowledgments, including Premios Aorianos in 2001 and 2004 and a prize given by the government of the province of Corrientes Argentina for his cultural relevance in 2012. In 2013, the first Guitar Festival of the Mercosur (Brazil, Argentina, Paraguay and Uruguay) was held in his tribute. The government of Rio Grande do Sul, Brazil awarded him as Ambassador of the Mercosur culture.

He participated in film soundtracks as Neto perde a sua Alma and Lua de outubro. As actor, he took the role of Capitn Castellano in the TV serie O Tempo e o Vento by rico Verssimo.

Lucio Yanel currently keeps playing in festivals in southern Brazil and yearly plays in Festival Nacional del Chamam (Corrientes, Argentina) too, still dedicating to another of his passions: teaching.

Band Members