O Terno
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O Terno

São Paulo | Established. Jan 01, 2009 | SELF

São Paulo | SELF
Established on Jan, 2009
Band Rock Indie

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Music

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9º – “O Cinza”, O Terno

Mesclando momentos de euforia e tranquilidade, O Terno cria um autêntico retrato de São Paulo com a linguagem simples e atualizada do vocalista Tim Bernardes, uma das características mais fortes do trio.


(In 2014, the music "O Cinza" was placed by Brazilian Rolling Stone magazine as 9th in the Best Music of the year) - Rolling Stone Brasil


Eles têm entre 23 e 24 anos. Desde que lançou o viralizado e premiado clipe de “66” — canção-título de seu primeiro disco, de 2012 —, no qual cola referências que vão do classic rock à dodecafonia, passando por reflexões metalinguísticas sobre originalidade e plágio no mundo pop, o trio O Terno, de São Paulo, vem sendo apontado como um dos focos de renovação do rock brasileiro. O vocalista, guitarrista e compositor Tim Bernardes fez música para Tom Zé, é solicitado por colegas de geração como Tiê (com quem assinou uma parceria por tabela com David Byrne), e mandou músicas para tentar passar na peneira de Gal Costa e entrar no próximo disco da cantora.

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A nova vanguarda paulistana, então? A julgar pela tiração de onda de “Filhos da vanguarda (ou não)”, faixa do novo disco da banda, “O Terno” (independente), melhor não usar o termo. Os versos: “‘Filhos da vanguarda’/ Pra poder vender/ Faz canção bonita/ Prensa um LP/ Meio do Brasil/ Pleno ano dois mil/ ‘Vanguarda’, ‘vanguarda’/ Cadê?”. Tim — que integra a banda ao lado do baterista Victor Chaves e do baixista Guilherme d’Almeida — confirma:

— Falaram uma vez que sou filho da vanguarda, muito por causa do meu pai (Maurício Pereira, do Mulheres Negras) — conta Tim. — E a gente só está tentando fazer rock’n’roll, música pop sussa! Hoje em dia, nossa geração é muito mais interessada na música pop dos anos 1960, no experimentalismo dentro do pop (Beatles e Beach Boys são referências que aparecem na fala de Tim quando conversa sobre o disco, que será lançado no dia 22, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo). Não tem nada a ver com essa ideia de vanguarda, de que só quem estudou muito vai entender.

O desejo de experimentalismo dentro do pop, inspirado sobretudo nos anos 1960 — uma década na qual, só para falar dos clássicos, as duas bandas citadas, das mais populares do mundo, lançaram álbuns como “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “Pet sounds” —, foi tratado com ironia torta em “66”: “Então eu corro pra internet/ Sou garoto antenado e baixo o novo embalo quente/ Que é de 66”.

— É algo de geração mesmo. Reparo isso nos meus amigos, de ouvir bandas antigas — conta Tim. — E com a internet isso não tem limites. Acaba rolando uma certa abordagem indie sobre as coisas clássicas. Tipo: “Tô ouvindo o lado B daquele disco do George Harrison” ou “tô ouvindo a primeira banda do Steve Winwood (do Traffic)”. O lançamento (em 1998) da caixa da coletânea “Nuggets”, com bandas pouco conhecidas, lados B, garagem, de 1965 a 1968, chamou a atenção para isso. Você vê isso em outras bandas da nossa idade, como Garotas Suecas, Primos Distantes, depois conheci Rafael Castro e vi que a gente tinha um monte de coisas em comum.

MÚSICA NA ERA DIGITAL

A postura experimental-pop-com-abordagem-indie do Terno — Os Mutantes não aparecem por acaso na crítica ao lado — inclui a abertura para o encontro daqueles velhos timbres e gêneros com outros mais novos, o pós-pós-vanguarda estimulado pelo consumo de música da era digital.

— Lembro de mostrar para meu pai uma banda bem nessa onda anos 1960 e ele comentar: “isso aí já fizeram”. Mas ele não sacou que o cara escolher especificamente aquele som é quase parte da criação. Por que escolher hoje fazer um som como Otis Redding? E naturalmente cada um usa seu filtro. Crescemos com iPod shuffle de 160 giga, tudo esquizofrênico, misturado. Quando você vê, a banda está calcada no rock dos 1960, mas já meteu um timbre dos 1980, algo de Strokes, Tropicália, e você ouve e sabe que é contemporâneo — avalia Tim, que referenda sua fala citando bandas como Tame Impala, Temples, Fleet Foxes, Grizzly Bear. — A gente curte muito bandas de fora, mas não estamos a fim de fazer igual ao que a gente ouve. Mas também não queremos fazer rockinho com samba para vender nosso som como psicodélico tropicalista.

Os arranjos de “O Terno” — todas as canções são assinadas somente por ele, com exceção de “O cinza”, dele e de Victor Chaves — ilustram com precisão o discurso de Tim. Sob a timbragem e a aura sessentista, temos Lupicínio Rodrigues psicodélico (“Bote ao contrário”), Clube da Esquina tocado pelo trio Jimi Hendrix Experience (“O cinza”), emulações das emulações de Devendra Banhart (“Brazil”), canção lado B de Festival da Canção (“Filhos da vanguarda”). E duas baladonas clássicas, uma à la Etta James (“Ai, ai, como eu me iludo”) e outra stoniana (“Eu vou ter saudades”), as preferidas de Maurício Pereira:

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— Ele falou: “Gostei dessas aí que o Fábio Jr. poderia gravar” — conta Tim.

O olhar afiado de Tim sobre sua geração — evidente em canções como “Eu confesso”, na qual descreve as meninas de seu bairro como de “estilo indie-hippie-retrô-brasileiro” —, sobre o medo (“Medo do medo”), o amor (“Ai, ai, como eu me iludo”), a identidade (“Quando eu me aposentar”), o vazio (“Desaparecido”) surge temperada com um humor mais sutil do que aquele que a banda mostrava em “66”:

— No “66”, demos uma pesada na zoeira. Agora, perdemos a ansiedade de fazer rir de cara, ficar noiado de agradar. - O Globo


O Terno conhece bem a cidade, e quando percebeu que nascia “mais uma manhã nublada em SP”, como bem diz a letra de “O Cinza”, tratou de vestir capas de chuva amarelas para se apresentar no segundo dia de Lollapalooza, neste domingo, 29.

Esta foi umas das muitas intervenções perspicazes do grupo paulistano, que tempera com graça um rock and roll estilo anos 1960 de muita qualidade.

Muita gente já descobriu o potencial d'O Terno, como se viu na composição da plateia que, debaixo de garoa, tinha na ponta da língua “Eu Confesso”, “Ai, Ai, Como eu me Iludo” e “Eu Vou Ter Saudades”, faixas do segundo e mais recente disco deles, o homônimo O Terno, de 2014, e “66” e “Eu Não Preciso de Ninguém”, de 66 (2012).

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A recente troca de Victor Chaves por Gabriel Basile na bateria não prejudicou em nada a harmonia da formação, completada pelo baixista Guilherme D'Almeida e pelo vocalista Tim Bernardes.

Neste domingo, 29, acordes afiados da guitarra, piano e o órgão Hammond de Bernardes se alternaram com as piadas do líder do grupo. Nem mesmo alguns problemas no som o impediram de brincar, ensaiando o “Tema da Vitória”, em homenagem a Ayrton Senna e a Interlagos, além do axé “Beija-Flor”, do Timbalada, referência à marca de desodorantes que patrocina o palco onde eles tocaram.

Bem-humoradas também são as faixas "Zé, Assassino Compulsivo" e “Papa Francisco Perdoa”, parceria com Tom Zé, gênio divertido da música brasileira. O Terno segue na trilha do veterano, ainda que tenha muita lenha para queimar até chegar lá. O fato de eles terem agradecido por Robert Plant e Jack White "abrirem" o show deles, um dia antes, não é demonstração de empáfia, mas sim do tom de graça que impera no grupo. - Rolling Stone Brasil


Discography

O Terno - 66 (2012)

Tom Ze - Tribunal do Feicebuqui (2013)

O Terno - Tic Tac-Harmonium (2013 - single)

O Terno (2014)

Photos

Bio

Tim Bernardes (vocals and guitar), Guilherme D’Almeida (bass) and Biel Basile (drums) are the Brazilian rock band O Terno. Hailing from São Paulo, Brazil, the band has been performing since 2009, and independently released its first album, 66, in 2012. The album received positive reviews, with the Brazilian newspaper giant O Globo naming it “one of the most impressive debut albums”. Rolling Stone Brasil magazine also placed 66 in its top 25 Brazilian albums of 2012, in its annual ranking.

In August of 2014, the trio launched its second album with completely original work, “O Terno”. ​The band has toured Brazil presenting their second album at large gigs including Lollapalooza BR, where they featured as a headline Brazilian band. The band worked on the album for several months, cultivating a new musicality and the results are clear: the second album displays more maturity, representing the group’s evolution in their career. The Brazilian Rolling Stone magazine placed the album as 12th in their Best Brazilian Album ranking for 2014, and ranked the O Cinza from the same album as 9th in the Best Music of the year.

Recorded and produced in partnership with​ Gui Toledo, from Estúdio Canoa, “O Terno” looks into sounds beyond the instrumental aptitudes of its members. All the bases are recorded live and enriched later by overdubs and studio tweaks. The songs range from intense, psychedelic rock, like in “O Cinza”, to introspective songs, as in “Ai, Ai, Como Eu Me Iludo”, and even a English track named “Brazil”​. The group references 1960 experimentalism and soul music to create its own identity, more confident, in a varied and cohesive repertoire.

The album also features various collaborating artists – including one of the foremost artists of the famed Tropicalia music scene (Brazil’s iconic music movement from the 70s) – Tom Zé, who showcases his unusual vocals in “Medo do Medo”, further intensifying the eerie feel of the song. The artist welcomed the band in 2012, in his EP “Tribunal do Feicebuqui”, where of the five featured songs, two were composed by Tim Bernardes. “Eu Vou Ter Saudades” presents sounds by Luiz Chagas (Tulipa Ruiz, Itamar Assumpção, Arnaldo Baptista) on the lap steel. The album also introduces Marcelo Jeneci playing the farfisa organ in “Quando Estamos Todos Dormindo”.

Band Members